Saúde Vocal I

 

Água, maçã, mel, bebidas quentes,

limão, gargarejo e soro ajudam a voz

Veja também o que prejudica a fala e o que fazer em caso de rouquidão.
Aquecimento vocal é indicado antes de um uso intenso e contínuo.
 
 
Além de ser um canal para a fala, a voz revela nossas emoções e sentimentos. Quando ficamos nervosos, por exemplo, ela costuma ficar mais aguda. Por isso, é importante cuidar bem da garganta e do nariz, para evitar rouquidão e afonias.
É importante fazer aquecimento vocal antes de um uso intenso e contínuo – como é o caso de cantores, atores, locutores e professores –, segundo a fonoaudióloga Leny Kyrillos e a otorrinolaringologista Adriana Hachiya.

Não comer chocolate duas horas antes de uma palestra ou um discurso, por exemplo, pode ajudar. Também se devem evitar choques térmicos ou ficar "coçando" a garganta com pigarros. Na contramão, soro fisiológico e inalação são ótimos para a voz.

Veja abaixo os alimentos e hábitos que melhoram a saúde vocal:

 
 
 
Se a sua rouquidão permanecer por mais de 15 dias, procure um médico. Qualquer disfonia além desse prazo não é normal. Um exame disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) mostra o funcionamento das cordas vocais. São imagens incríveis que revelam com detalhes como produzimos os sons.
Calo ou nódulo na garganta são lesões benignas provocadas pelo uso intenso da voz, mais comuns em pessoas que falam muito, especialmente em mulheres, por terem uma laringe mais arredondada e curta que a masculina.
 Normalmente, esses calos são cuidados com exercícios e mudança de comportamento vocal. Quando o problema não responde ao tratamento, é preciso fazer uma microcirurgia da laringe.
 
Vibração das cordas vocais
- As de um homem vibram de 80 a 150 vezes por segundo
- Na mulher, são de 150 a 250 vezes
- Em uma criança, as cordas batem entre 250 e 300 vezes
 
Causas da rouquidão
- Gripe
- Uso excessivo ou inadequado da voz
- Fatores emocionais
- Lesão ou calo nas cordas vocais
- Cigarro e álcool
 
 
Aquecimento
- Movimente a boca, como se estivesse mastigando, com e sem som, de boca aberta e fechada
- Vibre a língua e os lábios
- Emita consoantes sonoras prolongadas, como “v”, “z” e “g”, no mesmo tom e depois com modulações
- Comece o exercício com intensidade fraca e vá aumentando gradativamente
- Ao fim da atividade, diminua a intensidade
 
 
 
 
 
Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2012/06/agua-maca-mel-bebidas-quentes-gargarejo-e-soro-ajudam-voz.html
 
 
 
 
 

Pigarro e Rouquidão podem ser causados por

problemas com o aparelho digestivo

 

A maioria das pessoas com refluxo laringofaríngeo tem como principais queixas a sensação de algo parado na garganta, que causa um pigarro intenso, muitas vezes relacionado com as refeições ou ao acordar.

Normalmente, quando comemos a comida mastigada é engolida passando pelo esôfago até chegar no estômago. Lá ela será digerida por enzimas ativadas pelo ácido clorídrico e pelos sais biliares. Nosso estômago foi feito como uma perfeita caldeira capaz de tolerar quantidades habituais destas substâncias corrosivas. Ocasionalmente pode haver um desequilíbrio da produção ou do controle destes “corrosivos”, ocorrendo um retorno indesejável do conteúdo do estômago e duodeno para o esôfago e para a garganta, causando danos de graus variados ao epitélio de revestimento destes órgãos. Denominamos esta condição de DOENÇA DO REFLUXO GASTROESOFÁGICO (DRGE). Esta doença tem sido muito estudada e tratada pelos gastroenterologistas em sua forma clássica que cursa com dor de estômago, queimação no peito e, muitas vezes, com refluxo de alimentos ou líquidos ácidos de volta à garganta. No entanto, na última década foi descoberta uma forma atípica desta doença aonde quantidades menores de ácido chegam até a garganta silenciosamente, ou seja, sem serem percebidas pelo indivíduo, mas podendo causar grande estrago local. Na grande maioria destes casos, o indivíduo não sente nada no estômago, pois a quantidade de ácido está normal para a “caldeira”. Todavia, como a garganta não possui mecanismos para se proteger do ácido, esta sofre danos consideráveis mesmo quando exposta a pequenas quantidades de refluxo. Chamamos esta condição de REFLUXO LARINGOFARÍNGEO (RLF) para diferenciá-la da forma clássica da doença.

A maioria das pessoas com refluxo laringofaríngeo tem como principais queixas a sensação de algo parado na garganta, que causa um pigarro intenso, muitas vezes relacionado com as refeições ou ao acordar. Como o ácido refluído pode queimar a laringe, atingindo ou não as cordas vocais, muitos referem rouquidão e tosse seca sem causa aparente. Esta condição pode causar danos importantes e, se não for diagnosticada e tratada adequadamente, pode evoluir para lesões nas cordas vocais chegando a ser implicada como um dos causadores do câncer de laringe.

Como a maioria dos indivíduos com RLF não têm queixas digestivas, esta doença passou desapercebida, inclusive pela classe médica, por muitos anos. Para fechar o diagnóstico é necessário fazer uma minuciosa avaliação da garganta e das cordas vocais atualmente realizada de forma rápida e simples pelo médico Otorrinolaringologista através do uso de fibras ópticas.

Para discutirmos o tratamento do RLF devemos nos lembrar do principal causador desta doença. Nossa sociedade moderna adotou um ritmo de vida e hábitos alimentares que são incompatíveis com a saúde geral, o que dizer então da saúde digestiva!! Assim sendo, a primeira terapêutica a ser implementada é a mudança de hábitos alimentares dos pacientes com DRGE. Deve-se evitar alimentos ácidos, gordurosos, condimentados, cafeínas e seus derivados, nicotina e álcool, principalmente à noite. Os pacientes também devem ser orientados a não deitar após as refeições e evitar o uso de roupas apertadas na cintura. Muitas vezes, uma dieta equilibrada e a mudança de hábitos de vida são o suficiente para controlar os sintomas mais leves. Naqueles pacientes com sintomas diários mais intensos ou com lesões laríngeas significativas tratamento medicamentoso se faz imperativo. O tratamento geralmente dura meses (4 a 6 em média) e o controle da doença será avaliado pela melhora dos sintomas e dos sinais de inflamação durante o exame otorrinolaringológico.

 

Autor
Prof. Dra. Claudia A. Eckley
Doutora em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
Fellow em Voz Profissional pela Thomas Jefferson University Philadelphia, EUA
Professora Assistente do Departamento de Otorrinolaringologia da Santa Casa de São Paulo