"MITOS" sobre a voz cantada

 

A área da voz humana é rica em mitos, devido não somente à natureza artística que a envolve, mas também por ela ser um produto considerado abstrato, quase etéreo, por vezes divino. Esta concepção e o atraso da ciência na compreensão e explicação da produção da voz fizeram com que vários mitos se perpetuassem até nossos dias.

 

 

 

1. Aprender a respirar e a cantar com o

diafragma


O diafragma, um músculo muito importante na respiração, apresenta forma de guarda-chuva aberto e separa o pulmão da cavidade abdominal. Na inspiração o diafragma se retifica com a entrada do ar e massageia as vísceras, porém não se respira com e nem pelo diafragma e também não se canta pelo mesmo.

Na verdade o que o aluno de canto aprende é controlar melhor o fluxo de ar que sai dos pulmões em direção à laringe e às pregas vocais.

 

 

 

 

2. Nunca respirar pela boca 

 

 A cavidade nasal é a entrada preferencial do ar para dentro do corpo. No nariz, o ar é purificado, aquecido e umidecido, usando nesta tarefa, uma série de cílios (pêlos) e reentrâncias (coanas) por onde o ar passa em redemoinhos. Por outro lado, a respiração bucal é mais rápida e direciona maior quantidade para dentro dos pulmões num tempo mais curto, já que o trajeto a ser percorrido é menor e a porta de entrada maior. Assim sendo, durante o canto ou a conversa em frases rápidas, é impraticável respirar apenas pelo nariz, o que nos leva à respiração buco-nasais, com entradas bucais nas emissões que se sucedem rapidamente e entradas nasais nas pausas longas.

 

 

3. Gargarejar com uísque ou similares antes

dos ensaios e apresentações

 

Alguns cantores têm o hábito de gargarejar bebidas alcoólicas ou até mesmo de tomar uma dose para “esquentar” a voz antes de ensaios ou apresentações. Essas pessoas geralmente referem que fica mais fácil cantar sob o efeito do álcool. A ação imediata do álcool sobre as paredes da boca e da faringe é o de uma anestesia temporária, o que significa que as sensações nessa região ficam reduzidas. Assim, todo o esforço que se pode estar fazendo para cantar não é percebido e o cantor pode erroneamente acreditar que está cantando melhor. Além disso, o efeito do álcool sobre o sistema nervoso nos deixa mais desinibidos, mais soltos e, portanto, o medo de uma apresentação pode diminuir. Contudo, a partir de uma segunda dose (ou até mesmo da primeira, em pessoas mais sensíveis) pode-se perder o controle fino da afinação e do volume de voz, produzindo-se também uma articulação pouco precisa e com desvios nos sons da fala. A qualidade vocal fica pastosa, comprometida para o canto. Um outro fator importante é o edema (inchaço) nas pregas vocais causado pela ingestão de várias doses de bebida, principalmente destiladas.

 

 

 

4. Não apresentar zonas de passagem de

registro

 

Existem regiões intermediárias entre os registros vocais, quer seja entre o basal e o modal, ou entre o modal e o elevado nas quais ocorrem as principais mudanças nas ações musculares. Essas regiões são conhecidas como zonas ou notas de passagem. Alguns cantores não mostram suas notas de passagem, enquanto outros apresentam verdadeiras quebras de sonoridade entre a última nota de um registro e a primeira nota do registro seguinte. Na verdade, a mudança entre os ajustes musculares sempre ocorre, o que varia é o quanto ela é evidente ou não para o ouvinte.

 

 
5. Tomar mel com limão e similares


A combinação de mel e limão ou vinagre e sal é muito utilizada, contudo devem ser evitadas. O mel, consumido de modo isolado, é um lubrificante das caixas de ressonância superiores, a faringe e a boca, mas o limão, o vinagre e o sal ressecam as mucosas, e não devem ser usados com objetivos vocais.

Caso deseje experimentar as receitas caseiras que lhe são sugeridas, procure verificar, de modo crítico, quais os efeitos produzidos em seu aparelho fonador e em sua voz; porém, não faça tais testes antes das apresentações, a fim de evitar surpresas desagradáveis.
 

 

fonte: site CEV ( centro de estudo da voz )

 

 

As crenças comuns listadas abaixo foram discutidas pelo otorrinolaringologista, L. Arick Forrest em uma conversa com o autor do livro "The Owner's Manual To The Voice "Estudos científicos de apoio não foram encontrados.

 

 

 

6- Beber muita água no dia de uma performance, se 

ha inchaço nas pregas vocais e usar em seguida 

diuréticos, o mesmo diminuira o inchaço.

Diuréticos não vão acabar com o inchaço, se é inflamação ou esta relacionado ao periodo pré-menstrual ! O excesso de fluido nas pregas vocais, devido à inflamação ou hormônios é vinculado a alguma causa não é gratuito. Diuréticos não resolverá, no entanto pode desidratar o cantor, tornando as pregas menos elásticas e vulneráveis à formação de nódulos.

 

 7- Você deve beber água com gelo depois de um

excesso vocal, isto vai desfazer o inchaço.

 

Outra idéia é que as bebidas geladas causarão cãibras musculatura laríngea dificultando o cantar. Na realidade, não é verdade.

Imagine que sua pálpebra está inchada, um possivel tratamento é aplicação de gelo e deve ser realizada directamente sobre o local por um longo período de tempo.  Uma vez ingerida, a água gelada passa pela laringe e vai para o esôfago, nunca toca as pregas vocais, e só tem contato com a vizinhança por uma fração de segundo. Fato é que o corpo quase imediatamente altera a temperatura de qualquer coisa que entra nele. Portanto, beber água gelada não desfaz o inchaço das pregas vocais ou causarão cãibras na musculatura.

 

8- Gatorade é o melhor para hidratar cantores?

 

Gatorade é projetado para reabastecer os fluidos corporais e eletrólitos perdidos especificamente com o suor (sódio, potássio, cloreto, ferro, magnésio). O sódio é o principal eletrólito perdido com a transpiração. A combinação de sódio e água no Gatorade é ideal para ajudar o corpo a substituir rapidamente os fluidos depois de um exercício físico de grande esforço e muito suor.

 Normalmente, a água será suficiente e é o preferivel para os cantores, os muitos ingredientes no Gatorade fazem dele uma escolha ineficiente para a hidratação geral do dia-a-dia, porque seu corpo vai expelir qualquer coisa que não precisa.